Caros!
Segue 1º capítulo:
EIXO 1 – A EVOLUÇÃO TÉCNICA E REGULATÓRIA DOS POSTES NO BRASIL
O início da jornada rumo à infraestrutura aérea inteligente
Da série:
SÉRIE: POSTE, O Guerreiro que carrega a “LUZ da CONECTIVIDADE” na “SOMBRA do DESCASO”
Grande abraço! Viva Lô!

EIXO 1 – A EVOLUÇÃO TÉCNICA E REGULATÓRIA DOS POSTES NO BRASIL O início da jornada rumo à infraestrutura aérea inteligente
1. O poste como símbolo da infraestrutura urbana
O poste é, à primeira vista, um simples elemento físico, erguido nas ruas e avenidas para sustentar cabos. Mas, na prática, é muito mais que isso: trata-se de um pilar da infraestrutura nacional, originalmente concebido para a distribuição de energia elétrica em redes aéreas, e que ao longo das décadas se transformou em um ponto de convergência de múltiplos serviços essenciais — energia, telecomunicações, iluminação pública, sensores urbanos e até sistemas de vigilância eletrônica.
Sua história acompanha o próprio desenvolvimento das cidades brasileiras. Das primeiras estruturas de madeira no início do século XX aos postes de concreto armado e fibra de vidro atuais, a evolução técnica reflete tanto o avanço da engenharia quanto as transformações sociais e econômicas do país.
2. A multiplicação de usos, a privatização e o início do compartilhamento
Com a expansão dos serviços de telecomunicações nas décadas de 1980 e 1990, os postes deixaram de ser exclusivos da energia elétrica. Nesse período, o setor de telecomunicações ainda operava sob forte controle estatal, com as teles regionais e a Telebrás detendo o monopólio da infraestrutura e dos serviços.
A virada veio com a privatização, em 1998, que rompeu o monopólio estatal e abriu o mercado à competição. O novo cenário trouxe investimentos, inovação e dinamismo, mas também uma demanda explosiva pela infraestrutura existente — especialmente pelos postes, que se tornaram o principal meio físico de suporte para redes de telefonia, TV a cabo e, mais tarde, internet banda larga.
O compartilhamento, antes restrito a entes públicos do mesmo sistema, passou a envolver dezenas de agentes privados com interesses distintos, ampliando a complexidade técnica e regulatória. Entretanto, a falta de coordenação entre os setores e a ausência de uma política nacional de ocupação ordenada transformaram os postes em uma espécie de “solo aéreo”, disputado por diversas empresas — cada qual com suas prioridades, limitações e urgências operacionais.
3. A regulação: da omissão à tentativa de ordenamento
O marco regulatório dos postes no Brasil evoluiu de forma reativa, sem planejamento integrado. Durante muitos anos, a responsabilidade sobre o uso e a gestão ficou difusa entre distribuidoras de energia, operadoras de telecomunicações e órgãos municipais.
A partir dos anos 2000, com a consolidação da ANEEL e da ANATEL, surgiram as primeiras tentativas de normatização conjunta. O Compromisso de Compartilhamento de Infraestrutura (Resolução Conjunta nº 4/2014) foi um pequeno avanço ao definir diretrizes sobre uso, preço de ocupação, parâmetros técnicos e responsabilidades.
Contudo, a regulação avançou mais no papel do que na prática. A fiscalização ineficiente, a falta de cadastros unificados e o crescimento exponencial dos provedores regionais de internet (ISPs) resultaram em uma ocupação caótica, especialmente em médias e pequenas cidades.
4. A pressão da era digital e o novo papel dos postes
Na era da transformação digital, os postes assumem um papel estratégico para a conectividade. Hoje, eles sustentam muito mais do que cabos: abrigam antenas 5G, câmeras inteligentes, sensores de IoT e sistemas de monitoramento urbano.
Esse novo contexto impõe uma pressão inédita:
como conciliar múltiplos interesses, tecnologias emergentes e normas de segurança em estruturas que, muitas vezes, foram projetadas há mais de 40 anos?
A solução exige modernização técnica — com mapeamento digital, postes inteligentes e redes subterrâneas parciais — aliada a uma revisão regulatória profunda, envolvendo governos, agências, concessionárias e empresas de telecom. E, sobretudo, as entidades de classe e os sindicatos técnicos, que possuem o conhecimento prático da engenharia de campo e podem contribuir para uma visão mais realista e funcional da ocupação das redes.
5. Um tema que exige continuidade
A evolução técnica e regulatória dos postes é apenas o ponto de partida para compreender o cenário de complexidade e desordem atual. O poste — que deveria ser símbolo de organização e eficiência urbana — tornou-se o espelho de um modelo de gestão fragmentado, onde o crescimento do setor não foi acompanhado pela devida governança técnica.
Nos próximos capítulos, será possível aprofundar:
- o caos visual e operacional,
- as responsabilidades compartilhadas (e muitas vezes omitidas),
- os riscos de segurança,
- os custos invisíveis para as cidades,
e o caminho rumo a uma infraestrutura aérea inteligente e sustentável.
Se você quer ver os artigos anteriores da série:
(Introdução – 28/10/25): SÉRIE: POSTE, O Guerreiro que carrega a “LUZ da CONECTIVIDADE” na “SOMBRA do DESCASO”
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Publicado originalmente por www.linkedin.com/in/ricardo-elisei Sou Ricardo Elisei, engenheiro de Telecom, com 28 anos de experiência em projetos, licenciamento e implantação de redes externas, atuando por 18 anos na representação setorial de uma grande empresa nacional junto a entidades regulatórias.
Próximas publicações da Série
10/11/25 – Eixo 2: O caos atual e suas causas estruturais
17/11/25 – Eixo 3: Instalações à revelia e clandestinas
24/11/25 – Eixo 4: Impactos para energia e telecom
01/12/25 – Eixo 5: Reflexos urbanos e ambientais
08/12/25 – Eixo 6: Modelos internacionais de gestão
15/12/25 – Eixo 7: Desafios econômicos e institucionais do compartilhamento
22/12/25 – Eixo 8: Caminhos para um sistema mais seguro e moderno
29/12/25 – Eixo 9: Ações conjuntas público-privadas
05/01/26 – Eixo 10: Necessidade de revisão normativa e regulamentar
Até mais!