No país do Carnaval, em seu momento mais intenso de anúncios e agendas estratégicas, está todo mundo discutindo IA, datacenters e energia — e, quando o assunto chega às mesas decisórias em Brasília e nas capitais, o roteiro é quase sempre o mesmo: anúncio, headline, evento, foto e a promessa de um “Brasil protagonista”.
Só que existe uma parte nada fotogênica dessa agenda que segue ficando para depois: as redes físicas que alimentam tudo isso. Antes do data center “de classe mundial”, vem a fibra que chega ao bairro. Antes da IA na nuvem, vem a conectividade estável na rua. Antes da transformação digital, vem a infraestrutura bem governada.
E aqui aparece um paradoxo que combina demais com o nosso calendário folclórico: enquanto o país entra no clima de Carnaval, nossas cidades já vivem um “carnaval” o ano inteiro — cabos sem identificação, ocupação desordenada de postes, remendos que viram padrão e uma governança fragmentada que ninguém assume de ponta a ponta.
A pergunta incômoda para o setor — e também para o poder público — é simples: vamos continuar inaugurando o futuro no palco e empurrando a base física com a barriga?
Neste artigo, explico por que essa desorganização não é “só estética” e o que precisa mudar para que a conectividade que sustenta IA, datacenters e cidades inteligentes deixe de depender do improviso.
Boa leitura! 🎉 🎊 🎉
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O Carnaval da infraestrutura de Telecom : quando a conectividade avança e a governança fica para trás
🎭 O Carnaval da infraestrutura de Telecom: quando a conectividade avança e a governança fica para trás
Há algo curioso nas nossas cidades: enquanto celebramos a transformação digital, os céus urbanos se enchem de cabos que mais lembram serpentinas permanentes.
No país do Carnaval, a infraestrutura de telecomunicações parece ter entrado no bloco — mas muitas vezes sem coordenação, sem rotina de governança e com pouca clareza sobre “quem é dono do quê”.
➡️ O resultado é um paradoxo bem brasileiro: somos fortes em conectividade, mas convivemos com uma infraestrutura física que, em muitos pontos, opera no modo improviso.
⚖️ E já passou da hora de tratar esse tema com maturidade técnica, sem simplificações e sem caça às bruxas.
📊 O paradoxo brasileiro: liderança digital, desordem física
O Brasil expandiu a conectividade em ritmo impressionante. A fibra óptica avançou para cidades médias e pequenas, o 4G se consolidou e o 5G começa a redesenhar aplicações críticas. O consumo de dados segue em curva ascendente e a digitalização das empresas virou caminho sem volta.
🔎 Mas basta olhar para cima em qualquer centro urbano — e até em cidades do interior — para perceber que a camada física dessa evolução não acompanhou o mesmo nível de organização.
- ✔️ A expansão aconteceu
- ❗ A coordenação estrutural, nem sempre
🎪 O “Carnaval aéreo”: postes sobrecarregados e cabos órfãos
O ponto mais visível está nos postes.
O compartilhamento de infraestrutura entre distribuidoras de energia e demais atores, tais como operadoras/provedores é essencial e faz sentido econômico. O problema é que, em muitos lugares, a ocupação virou soma de urgências: instalações sem padronização, cabos desativados que ninguém retira e intervenções que resolvem o curto prazo — mas deixam dívida técnica para depois.
📌 Na prática, vemos:
- ⚠️ Cabos sem identificação clara (sem responsável definido)
- 🧱 Infraestruturas antigas não removidas
- 🚫 Ocupações irregulares e fora de padrão
- 🔧 Intervenções emergenciais sem regularização posterior
- 🗂️ Falta de inventário confiável e atualizado
O poste virou o “camarote” mais disputado do setor: todo mundo precisa ocupar, poucos conseguem organizar continuamente e quase ninguém quer assumir o custo de retirar o que já não usa.
🚨 Isso não é só estética urbana. É risco operacional, risco à segurança pública e aumento real de complexidade para manutenção, expansão e resposta a falhas.
🕳️ O subterrâneo também tem seus próprios desafios
É tentador dizer: “enterra tudo e resolve”. Não resolve.
A infraestrutura subterrânea melhora o visual e protege melhor a rede, mas traz desafios técnicos que muita gente subestima:
- 🧭 Mapeamento incompleto de dutos e ocupações existentes
- 🔌 Interferência entre serviços (energia, saneamento, gás e telecom)
- 💰 Custos elevados de implantação e manutenção
- 🏛️ Falta de padronização entre municípios
- 🛠️ Acesso mais difícil para reparos emergenciais
➡️ Ou seja: o caos não está só no alto dos postes — ele também pode correr silenciosamente sob nossos pés.

🧩 Por que chegamos aqui
Ao longo de quase 3 décadas atuando com engenharia de redes, licenciamento e implantação de infraestrutura em cenários urbanos, rodoviários e corporativos, observei um padrão: a expansão quase sempre foi mais urgente do que a organização.
📉 Existem motivos estruturais claros:
- 🌐 Pressão legítima por inclusão digital acelerada
- 🏛️ Modelo regulatório fragmentado entre vários atores
- 🏙️ Baixa integração entre planejamento urbano e expansão de telecom
- 👁️ Fiscalização predominantemente reativa
- 🗄️ Ausência de cadastros técnicos únicos e confiáveis
- 🚀 Mercado crescendo com muitos provedores regionais e terceirizações
Quando essa engrenagem gira sem sincronismo, o resultado aparece no poste — e depois vira incidente, custo e disputa.
⚡ O impacto real: não é “só o visual”
Reduzir o debate à poluição visual é perder o ponto.
A desorganização física gera consequências objetivas:
- 🚧 Maior risco de acidentes e rompimentos
- 📡 Interrupções recorrentes de serviços essenciais
- 📶 Mais dificuldade para implantação ordenada do 5G
- 💸 Aumento de custos operacionais e tempo de reparo
- 🏙️ Obstáculos a iniciativas de cidades inteligentes
- ⚖️ Judicialização e conflitos entre agentes do setor
➡️ Em outras palavras: bagunça física vira ineficiência digital.
🧠 O que o setor precisa admitir (sem drama)
O setor de telecom teve — e continua tendo — um papel extraordinário na inclusão digital brasileira. Isso é fato.
Mas também é fato que crescemos mais rápido do que organizamos.
🔁 A próxima fase da transformação digital vai cobrar maturidade de infraestrutura:
- Governança
- Dados confiáveis
- Padrões técnicos
- Rotinas permanentes
Não para frear expansão. 🎯 Para sustentar expansão.
🗺️ Caminhos possíveis: da folha ao planejamento
A solução não é uma bala de prata. É um conjunto coordenado de práticas que precisam virar rotina, não mutirão.
📍 Passos pragmáticos:
- 🤝 Planejamento integrado entre concessionárias e operadoras/provedores
- 🧾 Cadastro técnico único e atualizado (inventário, georreferenciamento, responsável e status do ativo)
- 🧹 Programas permanentes de limpeza/regularização de cabos
- 📐 Padronização municipal para ocupação de infraestrutura
- 🔄 Incentivo ao compartilhamento ordenado e à neutralidade quando fizer sentido
- 🕳️ Expansão planejada de soluções subterrâneas em áreas críticas
- 🧭 Governança técnica contínua, não só operação pontual “quando estoura”
Organizar infraestrutura não é retroceder. É reduzir risco, baixar custo escondido e aumentar previsibilidade.
🔗 A infraestrutura que sustenta o futuro conectado
O Brasil não pode permitir que a transformação digital desfile sobre uma base física improvisada.
Cidades inteligentes não começam nos aplicativos. Começam na organização dos ativos físicos que sustentam a conectividade.
📌 Se quisermos redes mais resilientes, seguras e preparadas para as próximas décadas, precisamos sair do improviso operacional e entrar, de vez, na era do planejamento integrado — porque o futuro digital depende, literalmente, dos fios que sustentamos hoje.
🛠️ Com quase 3 décadas atuando em engenharia, implantação e licenciamento de redes de telecom em ambientes urbanos e rodoviários, acompanhei de perto a expansão acelerada da conectividade no Brasil — e também os desafios de governança e organização que surgiram com ela.
Este artigo é um convite à reflexão técnica e estratégica sobre o próximo passo do setor: organizar a base física que sustenta o nosso futuro conectado.
Abraço!
Ricardo Elisei

⚖️ Aviso de Responsabilidade e Transparência Editorial As ideias e opiniões apresentadas neste artigo refletem exclusivamente minha visão pessoal e não representam, necessariamente, a posição de quaisquer organizações ou empregadores — passados, presentes ou futuros. O conteúdo combina insights teóricos, minha experiência prática de anos e análise opinativa sobre os dilemas técnicos e éticos do setor de infraestrutura e telecomunicações.
🧠 Transparência no uso de IA: ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas de forma auxiliar na criação e no refinamento linguístico, sob total autoria e responsabilidade do autor.